quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Assassinos Sociais - Gog


A lição meu irmão esta ai
Nos ataques a bomba
No genocídio em Ruanda
Na pobreza no Haiti
É triste, mas eu vi
O clamor materno
Rogando logo o céu, o inferno
Ao seu filho subnutrido
Que aos dezoito não pesava mais que vinte e poucos quilos
Mas de nada adiantava isso
Do outro lado do mundo seu futuro era decidido
Num café matinal entre políticos malditos
Parasitas cínicos

Assassinos sociais, é
Os poderosos são demais

Derramam pela boca seus venenos mortais
Poluindo a mente dos que são de paz
A gente segura atura estas criaturas
Como pode mas um dia explode
E a idéia sai (então vai)
Eu vou eu vou de vez
Vejam só vocês
No meu Brasil em ano de eleição
O que se vê pela periferia são
Palanques panfletos carros de som
Promessas em alto e bom tom de que as coisas vão melhorar
Mas como acreditar?
Se os que prometem sempre estiveram lá
Prontos para nos trucidar
E pra complicar
Não são humildes, morrem de preguiça
Só rogam o bem pra bem estar pra Deus na missa
E mesmo assim não fazem jus
Não fazem o sinal da cruz
Desses, eu, GOG, sempre quero estar a anos-luz
Acreditando no que creio há
E o que é mais feio
Pra eles o caminho do sucesso não importa os meios
Desses caras já estou cheio (então vai)

Assassinos Sociais
É, os poderosos são demais

Você tem todo o direito de não acreditar
No que estou dizendo
Mas tem o dever de conferir
Pra ver a zona que está ai no parlamento
Metem a mão na cara dura no orçamento
Interferindo na vida de milhões
E não são dois nem três, são mais de cem ladrões
Vou repetir quero mais adesões
Nos palanques seguem antigos padrões
Dizendo que são ricos
Que poderiam estar cuidando da família, do próprios negócios
E que por amor à nação
Adotaram a política como opção
Que ajudar os pobres é a missão
Mas quem são eles pra falar de amor?
E preciso ter antes de mais nada, ter noção do horror
Que é ver velhos vagando na madrugada das ruas
Com frio nas rugas
É preciso ver crianças
Pezinhos pequenos desde cedo na estrada
Esse é o preço pago vendendo dindin picolé amendoim cocada
Pra sobreviver toda a iniciativa é válida
Mas é essencial sim ter escrúpulos honrar a palavra dada
E o que dói mais é ver muitos de meu povo
Caindo na cilada
Trabalhando em campanhas milionárias por migalhas
Empunhando bandeira no sol a sol
O corpo suado coração está do outro lado
Mas infelizmente a necessidade fala alto
A ideia é:
Trabalhando contra nós mesmo sempre sairemos derrotados
E enquanto isso o que eles fazem?
Começam em brasília a semana na quarta e encerram na quinta
Matam a segunda, a terça, a sexta
Mal político em qualquer canto do planeta
É um Anticristo, um cisto, a besta
A atração principal do telejornal
A procura de status investe no visual
Realmente eu sou um marginal
E quero ver sua cabeça seu oco seu mal
Bicho mesquinho
Vejo em seus olhos tochas de fogo luzindo
Nas suas costas asas vermelhas se abrindo
É só olhar pra eles e verá que não estou mentindo
Que não é vacilo, delírio, nem sonho
Mau político pra mim: o pior dos demônios
Junta logo suas malas e vai!

Assassinos Sociais
É, os poderosos são demais

Juventude, um ato de rebeldia - ROSI SANTOS


 10 AGOSTO 2017

 
A maioria da população na América Latina é jovem. O impulso demográfico vivido nesse período é o maior como nunca visto antes. Essa é a grande janela de oportunidades. A juventude como protagonista e sujeito de direito e como motor do desenvolvimento econômico e social. É preciso acumular forças para enfrentar e superar a crise política e econômica que o mundo atravessa.


A população da América Latina e Caribe, dos 635 milhões que vivem atualmente na região, 52% pertence à faixa etária entre 0 e 29 anos. Crianças entre 0 e 15 anos, totalizam 164 milhões ou 26,1% do total e os jovens, entre 15 e 29 anos chegou a 162 milhões, representando 25,6% do total. O Brasil possui 50 milhões de jovens. O aumento da população nessa faixa etária começou no início da década de 2010 e terá seu auge em 2020.


Existem 1,8 bilhão de jovens no mundo, sendo que 87% deles vivem nos países em desenvolvimento. Uma força trabalhadora que poderia fazer a diferença sob o ponto de vista da economia em um período de bônus demográfico.


Fenômeno social entre os jovens os chamados “nem-nem” 


A lacuna entre os empregos precários e a educação pouco eficaz levou a um fenômeno social entre os jovens: os nem-nem. Um grupo da população que não estuda e também não trabalha. Na América Latina, 21,8 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos estão nessa situação, segundo a OIT. E em vez de diminuir, esse grupo continua crescendo. Os jovens se refugiam no vazio, e a conta recairá sobre o desenvolvimento da região. Cada vez que a taxa de nem-nem aumenta 1%, registra-se uma redução de 7% nos salários médios dos jovens, segundo um estudo do Banco Mundial. O Brasil tem quase um quarto do total de jovens brasileiros nessa situação. De 2014 para 2015, o percentual aumentou de 20% para 22,5% de jovens que não estudam nem trabalham, segundo o IBGE. 


O perfil do chamado "nem-nem" mostra que ele tem geralmente escolaridade menor em relação aos outros jovens e 44,8% deles vivem em famílias com renda de um quarto do salário mínimo por pessoa, na condição de filho. Quanto à localização, a maior parte dos representantes dessa "geração" está concentrada no Nordeste do País. E em questão de gênero, cerca de 70% dos nem-nem são mulheres. 


Nem-nem-nem


Pode ser feito um recorte do que pode ser chamado "nem-nem-nem", que além de não trabalhar e não estudar, não procura emprego, ou seja, são inativos. A proporção desse "nem nem nem" é maior que a do "nem nem" entre os jovens de 15 a 29 anos, são 14,4% contra 8,1%.


Apesar de uma parcela desse grupo não estar fora do mercado de trabalho por escolha própria, a maioria deles não procura emprego e agrega um "nem" a mais ao apelido pouco honroso. 

São os chamados "nem-nem-nem", que em números absolutos representam 7,334 milhões de jovens brasileiros que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego. O grupo dos nem-nem-nens não faz parte da população economicamente ativa do País (PEA), mas é capaz de interferir nas taxas de desemprego. Se deixam de procurar trabalho, não pressionam a taxa de desemprego. Os quase 10 milhões de nem-nem-nens no Brasil possuem diferentes perfis. Dentre eles, há quem tenha decidido parar os estudos e o trabalho, para dar um respiro, viver um período sabático e repensar a vida profissional. É uma questão social muito forte, muito mais do que comodismo.


As estatísticas revelam que de cada 10 jovens com trabalho, 6 o desempenham sem as garantias de Seguro Social ou estabilidade para o futuro.


Geração canguru


A chamada “geração canguru” encontra na família uma maneira de sobreviver à marginalização dos níveis sociais. A proporção de pessoas de 25 a 34 anos que estavam na condição de filho no arranjo familiar passou de 21,7%, em 2005, para 25,3%, em 2015 (IBGE, 2015).


Portanto garantir o investimento social necessário para esta fase da vida é tão importante para quebrar o círculo vicioso da pobreza e da desigualdade. Para tal enfatizar a educação com vistas à integração produtiva e trabalho decente, erradicar a violência juvenil e acesso universal à justiça. Dessa forma a melhoria das condições de trabalho anda de mãos dadas com uma maior cobertura educacional.


Direitos reprodutivos


A gravidez quando não desejada é um fator preponderante da vulnerabilidade dos jovens, limita suas oportunidades e lhe impõe obrigações de cuidado muito cedo. A Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) assinala que as mulheres que são mães depois dos 20 anos têm menos probabilidade de cair na pobreza. As cifras indicam que 30% das mulheres entre 15 e 24 anos estão casadas e uma alta porcentagem delas não tem acesso a anticoncepcionais. Cerca de 20% foram mães durante a adolescência, segundo o relatório das Nações Unidas sobre o Estado da população Mundial.


O relatório sobre juventude da Cepal aponta que entre os jovens que têm acesso à escola, as mulheres são maioria. Esse grupo quando tem a oportunidade de estudar tem maiores probabilidades que os homens de concluir seus estudos. Entretanto, os obstáculos para conseguir isso ainda são muitos.


É preciso consolidar as condições de pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos das e dos jovens, garantindo que a gravidez seja uma decisão livres. O projeto da PEC 55 (congela por 20 anos o orçamento em educação e saúde) ignora a situação das mulheres negras quando buscam o acesso aos serviços públicos de educação e saúde. 


Violência na juventude


A juventude negra é a maior vítima de homicídios em nosso país. Convivemos com o genocídio silenciado, ou seja, destruição de uma raça, o extermínio da juventude negra.

De acordo com o Mapa da Violência da Unesco de 2014 dos 56 mil homicídios por ano, 30 mil são jovens, 77% desses são negros (as). 


Quando em um país os jovens crescem em um ambiente e são testemunhas de violência, têm maior probabilidade de reproduzir essas condutas. 


Além de homicídios, a exposição a acidentes e suicídio nessa faixa representa 6% das mortes que ocorrem na América Latina. 


A condição étnico-racial é fator de desigualdade estrutural na América Latina. Portanto, há necessidade de impulsionar uma mudança estrutural progressiva, que gere empregos de qualidade - com direitos e proteção social -, maiores níveis de produtividade e melhores remunerações do fator trabalho.


Ação sindical


Nesse sentido, ter como centro o fortalecimento da juventude da CTB pode dar relevante contribuição para superação atual da crise. Ampliar a organização e participação dos (as) jovens trabalhadores. Constituir um movimento plural e classista de jovens trabalhadores (ativos e inativos). Superar a sub-representação entre os jovens, sabido que o desenvolvimento de capacidades, o acesso a oportunidades e a exposição a riscos estão muito segmentados por níveis de renda, distribuição geográfica e racial e gênero. Deve-se atentar para a situação de desigualdade imposta à juventude trabalhadora, que a crise exacerba e que entorpecem a satisfação de suas demandas. Cabe superar os critérios setoriais, as lógicas corporativas e as burocracias consolidadas. Aumentar a capacidade de comunicar-se e difundir as ideias avançadas entre o proletariado, formando inclusive intelectuais orgânicos vinculados ao campo do trabalho. Combater individualismo exacerbado disseminado pelo neoliberalismo – de igualdade social, de defesa da moral e da ética da classe trabalhadora, e do combate à corrupção. 


Replicar experiências como da Federação dos Bancários Bahia e Sergipe – FEEB-BA/SE que Caminha para o 6º Encontro anual da Juventude bancária. Onde Participam 12 sindicatos que forma uma comissão de juventude engaranhando contribuições para renovação do movimento. Nesse período já foram 28 jovens inserido nas direções dos sindicatos.


Para tal, os/as cetebistas deve assumir as lutas políticas em cursos, atuar para fortalecer a CTB, organizar-se nas empresas e também nos locais de moradia e estudo. Num coro sair às ruas na Defesa do Estado democrático de direito, por uma Frente Ampla contra o projeto neocolonizador.


Fora Temer!

Diretas Já!


Rosi Santos, Geógrafa, Bancária da CEF, é membro do Coletivo de Juventude da CTB e dirigente sindical do Sindicato dos Bancários de Sergipe


Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Caesb corta Vale Alimentação e Salários dos Diretores do Sindágua - STIU-DF

O novo ataque baixo da Direção Empresa foi a retirada dos diretores liberados do Sindicato da folha de pagamento no dia 01¤/07. O pagamento do Vale alimentação e salários dos diretores do Sindicato já foram cortados.

É preciso refletir em que isso nos nos afeta e os objetivos por de trás desta medida antissindical! No dia 06/06, a Direção da Empresa já havia encaminhado a Fatura referente aos salários e encargos de todos os diretores cedidos da Caesb, para trabalhar no nosso Sindicato. O valor da fatura dos Salários e Encargos corresponde a 70% da Receita do Sindicato, o que a Empresa sabe ser inviável para o SINDÁGUA, vez que existe outras despesas com Logística, Material, Pessoal, Assistência Jurídica, Fundo para Greve etc.

Já para Direção da Caesb o dinheiro jorra: em 2016 o montante de recursos destinados apenas aos quatro Diretores da Empresa  aumentou 16,7%, passando de R$ 2,4 milhões para R$ 2,8 milhões. *O aumento da remuneração da diretoria da Empresa foi superior ao da Despesa de Pessoal Total*.

Todo este ataque é para forçar o aceite da proposta da Empresa, que vai além da retirada inicial de direitos este ano, vez que a exclusão de diversos direitos e do concurso público visa destruir a Caesb como Empresa pública. A Direção da Caesb ataca e menospreza o trabalho da Direção do Sindicato, tanto na organização da luta dos trabalhadores contra a privatização, como nas defesa dos direitos conquistados, por isso, tamanho ataque aos trabalhadores.

*Desta forma, destacamos que medidas jurídicas estão sendo tomadas contra esse abuso, e reafirmamos que permaneceremos firmes na Luta com a categoria na defesa de nossos direitos e da Caesb pública, não cedendo a mais essa chantagem antissindical.*

*LUTAR • MANTER • CONQUISTAR!*

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2015258738708062&id=1670604956506777

O lindo Ataque Poético dos Poetas Favelados nos trens do Rio, confira! Mídia Ninja!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Dilermando Toni - Extratos - Seminário a Questão Nacional no mundo de hoje



Seminário em SP sobre a Questão Nacional no mundo de hoje. Abaixo trecho da minha palestra:
Poderia destacar várias manifestações que polarizam a questão nacional hoje no mundo, chamadas pela diplomacia de questões sensíveis. A análise de sua dinâmica mostra claramente o surgimento de polos emergentes e o aumento das tensões e conflitos:
No terreno da economia, neoliberalismo serve ao neocolonialismo
1 – Um problema já antigo, mas que ao contrário de perder importância foi ganhando destaque com o passar dos anos. O controle do Petróleo e do Gás em torno dos quais se dão grandes disputas, um terreno cheio de disputas e tensões. Os países que almejam desenvolver-se soberanamente resolveram com o controle estatal/público, criando empresas para a exploração e distribuição destes produtos. Os EUA consomem atualmente 3 vezes mais do que produzem apesar dos avanços no shale gas. Um grande problema para a Europa e também para a China. Daí advêm as disputas e guerras no Oriente Médio. Mudanças na posição do Qatar. Daí advém a força econômica da Rússia. É um importante componente econômico da grandiosa iniciativa alternativa Um Cinturão, uma Rota. É a base da poderosa infraestrutura que se está começando a se construir no projeto eurasiano. A autonomia em torno da produção de energia é uma das principais questões para o desenvolvimento soberano de um determinado país;
2 – diante do grande volume existente de capital monetário, fictício inclusive, liberalização dos fluxos de capitais para tanto os países deveriam abrir ao máximo a conta de capitais. Instrumentos são as organizações econômicas multilaterais, FMI, Banco Mundial, Banco Central Europeu. A dominância financeira propriamente dita é um problema mais novo, ou um novo aspecto da exportação de capitais, a partir dos anos 1990, de grande importância;
3 – controle da política macroeconômica, em especial da política cambial, em uma situação em que os EUA tem o poder de emitir a moeda principal com a qual se fazem as trocas internacionais, e quando o comércio mundial cresceu muitas vezes. Isto flui através das instituições econômicas multilaterais, FMI, Banco Mundial. Ou ainda através de articulações como Consenso de Washington. Aparecem como se fossem verdades universais às quais não existiriam alternativas. A questão adquiriu essa forma com o advento do neoliberalismo, que sobreveio à falência dos acordos de Bretton Woods que mantiveram “as coisas sob controle” durante uns 30 anos. Também neste terreno são numerosas as iniciativas para a criação de alternativas ao dólar e à dominância financeira dos EUA, vindas, sobretudo da Ásia;
4 – o boicote econômico, sanções comerciais e financeiras (transações financeiras e investimentos) para sufocar países que ousam divergir e fazer o enfrentamento. Tal como na URSS e em Cuba, ou no Irã e na Rússia mais recentemente. Tem sido uma forma tradicional aplicada com recorrência;
No terreno das ideias
5 – controle ideológico, cultura, cinema e artes plásticas. A indústria do cinema dos EUA talvez seja o mais poderoso instrumento de dominação ideológica que já se construiu no planeta. As artes plásticas terreno poderoso da luta de ideias, arte abstrata e conceitual. Valores do individualismo. Para registrar hoje a Índia possui a maior indústria cinematográfica do mundo.
No terreno político-militar
6 – o controle das armas nucleares. O imperialismo faz um grande esforço para manter sua (e de aliados) hegemonia neste terreno porque sabe perfeitamente que é através deste tipo de armas e tecnologia que os países adquirem força de dissuasão; já há uns 70 anos, desde meados da década de 1940. Hoje importam a qualidade dos artefatos, a quantidade deles e o alcance que possam ter. Mas os EUA e seus aliados não mantêm nem o monopólio nem a hegemonia. O ranking nuclear atualmente é o seguinte: A Rússia com cerca de 1910 ogivas fica em primeiro lugar seguida dos EUA com 1800. Mais abaixo ficam França e China com aproximadamente 300 ogivas cada uma, seguidas da Grã Bretanha, Índia e Paquistão com cerca de 120 ogivas cada um. Israel, embora não declare e com o consentimento tácito do imperialismo, tem cerca de 80 ogivas. A Coréia Democrática desenvolve sua indústria nuclear apesar das pressões externas. O programa nuclear iraniano é outra frente de tensões e conflitos permanentes.
TNP começou a vigorar a partir de 1970 é o principal instrumento de pressão e controle dos EUA sobre as nações. As visitas de inspeção.
Neste “particular” avalio que talvez haja um equilíbrio de forças.
7 – A OTAN em expansão, as bases militares no estrangeiro e frotas navais que servem para promover ações bélicas de provocação e agressão por quase todo o mundo. Os EUA possuem 19 porta-aviões (a arma de guerra mais poderosa do mundo) espalhados pelos mares e pelos ares do mundo. Com isso têm base móvel poder para atacar poderosamente em qualquer lugar. A luta do Estado e do povo sírio contra o imperialismo.
8 – controle da ciência e da tecnologia e dos seus avanços. Aqui neste ponto me chama muito a atenção o novo controle via Internet através da qual os organismos de inteligência têm todas as informações de que precisam, do qual a presidenta Dilma e vários outros chefes de Estado foram vítimas, que se combina com formas tradicionais como o controle através das patentes. Também a articulação Um cinturão, uma Rota pretende construir uma alternativa neste terreno.
9 – controle dos recursos da biodiversidade é ainda uma frente destacada de luta pela sua importância estratégica. Amazônia brasileira.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amo - Maiakovski

AMO

A Lila Brik

COMUMENTE É ASSIM

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Müller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.

GAROTO

Fui agraciado com o amor sem limites.
Mas, quando garoto,
a gente preocupada trabalhava
e eu escapava
para as margens do rio Rion
e vagava sem fazer nada.
Aborrecia-se minha mãe:
“Garoto danado!”
Meu pai me ameaçava com o cinturão.
Mas eu,
com três rublos falsos,
jogava com os soldados sob os muros.
Sem o peso da camisa,
sem o peso das botas,
de costas ou de barriga no chão,
torrava-me ao sol de Kutaís
até sentir pontadas no coração.
O sol se assombrava:
“Daquele tamaninho
e com um tal coração!
Vai partir-lhe a espinha!
Como, será que cabem
neste tico de gente
o rio,
o coração,
eu
e cem quilômetros de montanhas?”

ADOLESCENTE

A juventude tem mil ocupações.
Estudamos gramática até ficar zonzos.
A mim
me expulsaram do quinto ano
e fui entupir os cárceres de Moscou.
Em nosso pequeno mundo caseiro
brotam pelos divãs
poetas de melenas fartas.
Que esperar desses líricos bichanos?
Eu, no entanto,
aprendi a amar no cárcere.
Que vale comparado com isto
a tristeza do bosque de Boulogne?
Que valem comparados com isto
suspiros ante a paisagem do mar?
Eu, pois,
me enamorei da janelinha da cela 103
da “oficina de pompas fúnebres”.
Há gente que vê o sol todos os dias
e se enche de presunção.
“Não valem muito esses raiozinhos”
dizem.
Eu, então,
por um raiozinho de sol amarelo
dançando em minha parede
teria dado todo um mundo.

MINHA UNIVERSIDADE

Conheceis o francês,
sabeis dividir,
multiplicar,
declinar com perfeição.
Pois, declinai!
Mas sabeis por acaso
cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso
a linguagem dos bondes?
O pintainho humano
mal abandona a casca
atraca-se aos livros
e a resmas de cadernos.
Eu aprendi o alfabeto nos letreiros
folheando páginas de estanho e ferro.
Os professores tomam a terra
e a descarnam
e a descascam
para afinal ensinar:
“Toda ela não passa dum globinho!”
Eu com os costados aprendi geografia.
Não foi à toa que tanto dormi no chão.
Os historiadores levantam
a angustiante questão:
- Era ou não roxa a barba de Barba Roxa?
Que me importa!
Não costumo remexer o pó dessas velharias!
Mas das ruas de Moscou
conheço todas as histórias.
Uma vez instruídos,
há os que propõem
a agradar às damas,
fazendo soar no crânio suas poucas idéias,
como pobres moedas numa caixa de pau.
Eu, somente com os edifícios, conversava.
Somente os canos dágua me respondiam.
Os tetos como orelhas espichando
suas lucarnas atentas
aguardavam as palavras
que eu lhes deitaria.
Depois
noite a dentro
uns com os outros
palravam
girando suas línguas de catavento.

ADULTOS

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite
vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito de amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão,
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos dágua.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais – eu sei,
qualquer um sabe -
o coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.

O QUE ACONTECEU

Mais do que é permitido,
mais do que é preciso,
como um delírio de poeta
sobrecarregando o sonho:
a pelota do coração tornou-se enorme,
enorme o amor,
enorme o ódio.
Sob o fardo,
as pernas vão vacilantes.
Tu o sabes,
sou bem fornido,
entretanto me arrasto,
apêndice do coração,
vergando as espáduas gigantes.
Encho-me dum leite de versos
e, sem poder transbordar,
encho-me mais e mais.

CLAMO

Levantei-o como um atleta,
levei-o como um acrobata,
como se levam os candidatos ao comício,
como nas aldeias se toca a rebate
nos dias de incêndio.
Clamava:
“Aqui está, aqui! Tomai-o!”
Quando este corpanzil se punha a uivar,
as donas
disparando
pelo pó, pelo barro ou pela neve,
como um foguete fugiam de mim.
- “Para nós, algo um tanto menor,
algo assim como um tango…”
Não posso levá-lo
e carrego meu fardo.
Quero arremessá-lo fora
e sei, não o farei.
Os arcos de minhas costelas não resistem.
Sob a pressão
range a caixa torácica.

TU

Entraste.
A sério, olhaste
a estatura,
o bramido
e simplesmente adivinhaste:
uma criança.
Tomaste,
arrancaste-me o coração
e simplesmente foste com ele jogar
como uma menina com sua bola.
E todas,
como se vissem um milagre,
senhoras e senhoritas exclamaram:
- A esse amá-lo?
Se se atira em cima,
derruba a gente!
Ela, com certeza, é domadora!
Por certo, saiu duma jaula!
E eu de júbilo
esqueci o jugo.
Louco de alegria
saltava
como em casamento de índio,
tão leve,
tão bem me sentia.

IMPOSSÍVEL

Sozinho não posso
carregar um piano
e menos ainda um cofre-forte.
Como poderia então
retomar de ti meu coração
e carregá-lo de volta?
Os banqueiros dizem com razão:
“Quando nos faltam bolsos,
nós que somos muitíssimo ricos,
guardamos o dinheiro no banco”.
Em ti
depositei meu amor,
tesouro encerrado em caixa de ferro,
e ando por aí
como um Creso contente.
É natural, pois,
quando me dá vontade,
que eu retire um sorriso,
a metade de um sorriso
ou menos até
e indo com as donas
eu gaste depois da meia-noite
uns quantos rublos de lirismo à toa.

O QUE ACONTECEU COMIGO

As esquadras acodem ao porto.
O trem corre para as estações.
Eu, mais depressa ainda,
vou a ti,
atraído, arrebatado,
pois que te amo.
Assim como se apeia
o avarento cavaleiro de Púchkin,
alegre por encafuar-se em seu sótão,
assim eu
regresso ati, amada,
com o coração encantado de mim.
Ficais contentes de retornar à casa.
Ali vos livrais da sujeira,
raspando-vos, lavando-vos,
fazendo a barba.
Assim retorno eu a ti.
Por acaso,
indo a ti não volto à minha casa?
Gente terrena ao seio da terra volta.
Sempre volvemos à nossa meta final.
Assim eu,
em tua direção sempre me inclino
apenas nos separamos
mal acabamos de nos ver.

DEDUÇÃO

Não acabarão com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

sábado, 15 de julho de 2017

Nota de solidariedade de Raul Castro a Lula

"Al compañero Luiz Inácio Lula da Silva, víctima de persecución política y maniobras golpistas, le expresamos nuestra solidaridad ante el intento de impedir su candidatura a elecciones directas, con una inhabilitación judicial. Lula, Dilma Rousseff, el Partido de los Trabajadores y el pueblo brasileño tendrán siempre a Cuba de su lado."

Raul Castro.
14 Julio 2017.

Chico Buarque é censurado pelo jornal O Globo ao comentar a condenação de Lula - Portal CTB

MARCOS AURÉLIO RUY  14 JULHO 2017
Acostumado a enfrentar a censura da ditadura civil-militar (1964-1985), o cantor, compositor e escritor Chico Buarque foi censurado pelo jornal O Globo, da família Marinho. A assessoria do artista conta que a redação do diário carioca encomendou uma declaração de Chico sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo juiz Sergio Moro.
Ironicamente, Chico enviou por e-mail a frase “O Globo faz a diferença” e acrescentou “quero que publiquem”. Os editores entenderam o recado. Não publicaram a frase do artista por perceber a alusão feita ao prêmio anual “Quem faz diferença”, do jornal dos Marinho.
Isso porque em 2015, o juiz curitibano de primeira instância ganhou como a Personalidade do Ano, justamente por seu trabalho na operação Lava Jato. Com essa fina ironia Chico Buarque condena a atuação de Moro e de O Globo, totalmente partidários contra o ex-presidente.
A declaração de Chico sairia publicada nesta sexta-feira (14), juntamente com as de Beth Carvalho, Zé Celso, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque, entre outros. “Um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição”, diz a cantora Beth Carvalho.
Um recado de Chico Buarque a ditadores de plantão: 

Já o cineasta Kleber Mendonça Filho, afirma ser “uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”. Enquanto o teatrólogo José Celso Martinez Correa afirma que “para realizar seu grande sonho – ou melhor, seu marketing –, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já”.
O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social”.
Para a atriz Silvia Buarque, filha de Chico, “é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência”.
O jornal O Globo tentou mostrar “isenção” ouvindo artistas que condenam o modus operandi do juiz Sergio Moro, mas a sagacidade de Chico Buarque, mais uma vez desmontou essa farsa.
Durante a outra ditadura Chico inventou muitas maneiras de enganar a censura e denunciá-la, agora denuncia a censura de quem vive falando em “liberdade de expressão”, quando o assunto é democratização dos meios de comunicação.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Brasil 247, O Cafezinho, Portal Vermelho e O Globo. Foto: Mídia Ninja

POSIÇÃO OFICIAL DOS MAÇONS PROGRESSISTAS DOS BRASIL SOBRE CONDENAÇÃO DE MORO A LULA


A propósito da sentença condenatória prolatada na data de ontem (Autos n. 5046512-94. 2016. 4. 04. 7000/PR,  13ª. Vara Federal de Curitiba), em desfavor de sua Excelência o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva,  pelo MM. Juiz Sérgio Moro, o Coletivo Maçons Progressistas do Brasil - MPB, tem a considerar e tornar público o que segue:

1. Nenhum cidadão  pode estar fora do alcance da lei, pois,  todos deveriam ser iguais perante ela e, o império da lei, por sua vez, importa na sua aplicação a todos indistintamente.

2. Nesse diapasão,    também, todos deveriam estar sujeitos à submeterem-se, de modo imparcial, à Justiça.

3.  Contudo, esse Movimento entende que:

a) o julgamento de processos criminais, independente da procedência do acusado, devem cingir-se à lei, aos princípios de direito e, sobretudo, à irrestrita observância da Constituição Federal.

b) Estes julgamentos não podem ignorar a materialidade.

c) A autoria deve ser provada de modo inconteste e, não objeto de meras "convicções",  sob pena de nulificar a verdade real, essência exigida para afastar a seletividade e parcialidade.

d) Que todo acusado tem direito a um julgamento justo, imparcial e livre de influências estranhas ao aparelho judiciário e de opiniões alheias aos autos e dos atores do sistema de justiça envolvidos.

e) Que o processo não  pode ser instrumento de vendettas, nem de objetivos estranhos à  sua concepção de persecução penal em um Estado de Direito, sob pena de se tornar um instrumento de perseguição a desafetos,  de eliminação de opositores, de abominável combate a ideias e posicionamentos contrários, o que permite o estabelecimento do arbítrio e de um Estado Marginal, desgarrado das regras em que se fundam o Estado de Direito.

4. Esse movimento entende que o processo em questão não subsiste às normas constitucionais e aos mais elementares princípios do Processo Penal, desde sua acusação, lastreada em meras "convicções", no "ouvi dizer", na absoluta ausência de materialidade e da inexistência de provas de autoria.

5. Que é evidente a seletividade posto alvejar um espectro político e deixar outro usufruindo da sagrada sentença do "não vem ao caso".

6.  Ademais:

a) Ficou patente a parcialidade do douto julgador na condução do Processo, notadamente quando favorece a acusação e cerceia a defesa de ser exercida em sua plenitude, o que,  inclusive,  tem sido objeto de contestação de juristas internacionais de proa e de denúncia junto a organismos internacionais, com destaque para órgão da ONU. 

b) Que a proximidade e amizade de seu prolator  com próceres políticos  adversários ferrenhos e detratores históricos de Lula, alguns há  décadas, muitos deles protegidos pela sagrada sentença do: "não vem ao caso",  cobre-o com o manto da suspeição, afastando a neutralidade axiológica necessária.

c) Que não foi assegurada a ampla defesa, nem garantida a paridade das armas entre acusação e defesa,  posto que a acusação prevalecia de abertura total do processo, ao passo que a Defesa por vezes teve de se valer de recursos judiciais para acessá-los ou restabelecer a ordem jurídica face às transgressões verificadas.

d) É notória a influência externa no processo,  notadamente do consórcio da mídia oligopolizada que manipulou, deturpou e sonegou a verdade em proveito de uma narrativa que não foi provada nos autos;

d.1) Nesse quesito, a Defesa é que fez prova da inocência, invertendo-se o ônus probatório, cuja demonstração de autoria, materialidade e culpabilidade recairia sobre a acusação.

e) Ainda, os vazamentos criminosos de informações em tempo real e liberação de documentos sigilosos, quando eram sonegados à Defesa, para corroborar o nefasto intento buscado no processo em questão,  que pode ser tudo,  menos fazer-se Justiça.

f) Por fim, as inúmeras ilegalidades e arbitrariedades cometidas na sua condução, mormente com a condução coercitiva do acusado Lula e com a divulgação de conversa deste com a legítima e constitucional Presidente da Republica,  Senhora Dilma Roussef,  captada por meio de "grampos telefônicos" ilegais, então, criminosos.

7. Portanto, tudo isso "vem ao caso" e não pode ser colocado ao largo,  posto afetar o nosso Estado Democrático de Direito e ceder lugar ao arbítrio judicial, que se afasta de seu mister de se fazer Justiça.

8. Destarte, face às razões expostas,  entende esse Movimento serem nulos todos atos praticados no processo  em questão, e que o mesmo deve ser submetido a um juízo isento, imparcial,  insuspeito e justo, e não ficar submetido a um juízo que deu mostras de parcialidade, desde a definição de uma "absoluta competência" fixada por critérios nada claros de territorialidade  ou conexão com fatos outros, para tanto:

Recomendando-se a necessidade de cumprimento de garantias processuais e do primado da presunção da inocência, ainda que sob o escrutínio de órgãos internacionais que o Brasil faça parte.

Brasil, 13 de julho de 2017, da E.´. V.´.

Assinado pelo Coletivo MAÇONS PROGRESSISTAS DO BRASIL