sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Conspiração, sequestro e linchamento matam vice-ministro da Bolívia para privatizar - Veja nota do governo Evo Morales

http://www.presidencia.gob.bo/

La Paz, 26 ago (Prensa Palacio).- El presidente Evo Morales, consternado por el asesinato del exviceministro de Régimen Interior, Rodolfo Illanes, afirmó este viernes que las movilizaciones de los cooperativistas mineros responden a una conspiración política permanente contra el Gobierno, pues no se trata de reivindicaciones sectoriales, sino políticas y de defensa de la privatización del sector minero, pidió la sanción correspondiente a los autores del crimen y declaró tres días de duelo sin suspensión de actividades por la muerte de dicha autoridad.

 

“En esta movilización de Fencomin (Federación de Cooperativas Mineras de Bolivia) había una conspiración política y no había una reivindicación social para el sector, pueden tener muchos argumentos, pero los últimos del día de ayer, los opositores respaldan firmar contratos con empresas privadas a las cooperativas. Otro opositor dice textualmente que los cooperativistas están defendiendo permanentemente la capitalización”, señaló en una declaración de prensa, en Palacio de Gobierno.

El Mandatario, rodeado de varios de sus ministros y las principales autoridades de la Asamblea Legislativa Plurinacional, explicó que algunos dirigentes públicamente respaldaron las movilizaciones de la derecha. “Algunos dirigentes dijeron no nos interesa el Gobierno, sino su sector, este Gobierno se va a morir como (el del ex presidente Hugo) Banzer, dijeron”.

Durante esta semana, los cooperativistas mineros realizaron un bloqueo de caminos y la de ayer fue una de las jornadas más violentas con la muerte de dos personas y del viceministro Illanes en la localidad de Panduro, después de haber sido secuestrado y torturado.

En este contexto, el Jefe de Estado, lamentó que los verdaderos cooperativistas mineros hayan sido engañados por los dirigentes y reveló que algunos además se hacen pasar por miembros de ese sector cuando en realidad son empresarios.

Reiteró que la movilización de los cooperativistas no es por una reivindicación sino una conspiración política, sin embargo, lamentó la muerte de algunas personas y anunció que a sus familiares no se les abandonará. “Somos seres humanos entendemos cómo han sido usados”.

“Pero también quiero decirles que nunca el Gobierno ordenó a la policía llevar armas letales, sospechosamente ha habido muertos que tienen que ser investigados profundamente por las autoridades”, afirmó.

Acongojado dijo que el fallecimiento del viceministro de Régimen Interior “duele mucho y es una actitud cobarde, secuestran, torturan y lo matan, es imperdonable no entiendo cómo pueden haber algunos hermanos cooperativistas que agredan de esa manera”. Ante este hecho declaró a Illanes “héroe defensor de los recursos naturales”.

“El pueblo boliviano, los movimientos sociales luchamos para recuperar los recursos naturales algunos cooperativistas qué piden no son republiquetas para firmar contratos, por eso declaro al hermano Illanes cono héroe defensor de los recursos naturales”, señaló.

Explicó que los verdaderos cooperativistas mineros fueron engañados, pues antes del bloqueo se dijo que había mandamientos de apremio para los dirigentes principales, lo cual era falso.

El Mandatario también afirmó que el diálogo estaba siempre presente y que la última vez que tuvo contacto con el presidente de Fencomin, Carlos Mamani fue el 2 de agosto en los actos de Challapata, a quien le dijo que después del 7 del mismo mes, el Gobierno se reuniría con el sector cooperativista minero en aras del diálogo.

“Quiero decirles hermanas y hermanos, duele muchísimo lo que ha pasado, como dirigente sindical, antes nosotros marchábamos por el diálogo, anticipadamente presentábamos nuestro pliego y esperábamos, semanas, meses, pedíamos a la Defensoría del Pueblo, a la Asamblea Permanente de Derechos Humanos e inclusive a la Iglesia Católica que nos abran diálogo, ahora rogamos por el diálogo”, señaló.

También recordó que los dirigentes de los cooperativistas, no asistieron a las reuniones con el vicepresidente Álvaro García Linera, y a otras convocatorias para conversar con los ministros, dijo que prácticamente los dirigentes dejaron plantadas a estas autoridades.

El Presidente, asimismo, demandó que se encuentre a los responsables de la muerte del Viceministro de Régimen Interior y se los castigue.
Jbr pp

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A Carta Testamento de Getúlio Vargas é uma arma contra o golpe atual - Portal Vermelho

A Carta Testamento de Getúlio Vargas é uma arma contra o golpe atual - Portal Vermelho:






 
 


O Brasil enfrenta um momento
histórico de extrema gravidade. Um golpe de estado institucional está
prestes a ser consumado, afastando definitivamente uma Presidenta da
República eleita com mais de 54 milhões de votos.



E muito do que está em jogo hoje guarda semelhanças profundas com outra
conjuntura trágica ocorrida há sessenta e dois anos, quando forças
anti-democráticas com idênticos interesses anti-povo e anti-nacionais
levaram o Presidente Getúlio Vargas a dar um tiro no próprio peito.



Esse gesto político extremo barrou a tentativa de golpe e levantou
grande parte do povo contra líderes de direita, partidos e mídia
golpistas de então, derrotando-os fragorosamente. Venceu a democracia e
venceram os interesses maiores do povo brasileiro.



A Carta Testamento que Getúlio nos deixou é um dos mais importantes
documentos de referência política e ideológica em defesa da democracia e
dos interesses nacionais da história do Brasil.

O Fórum 21 faz aqui a sua republicação integral para difundi-la da forma mais ampla possível.



Seu conteúdo profundo e sua forma aguerrida são ainda hoje uma bala de grosso calibre contra golpistas de toda espécie.



O momento exige ação, atitude, formas de luta que confrontem a farsa do rito golpista. As mais variadas e criativas.



O modo como as forças democráticas irão vencer ou perder a batalha nesta
reta final do golpe fará toda a diferença para os passos seguintes da
história.



A firme indignação e a denúncia veemente contra a ruptura democrática em
curso são essenciais, mas insuficientes. É preciso reagir também com
gestos e atitudes políticas à altura da gravidade dos fatos e da
desfaçatez dos golpistas.



Tudo o que eles querem – políticos de direita, dirigentes da FIESP e de
várias organizações empresariais, banqueiros, donos da grande mídia,
entre outros – é que a grande maioria da sociedade aceite a
“normalização” do processo, sob essa espúria máscara de legalidade.



É isso que os meios de comunicação oligopolizados repetem todos os dias,
fazendo jus à alcunha que lhes cai tão bem: “PiG, Partido da imprensa
Golpista”.



A resposta das amplas forças democráticas, que estão se manifestando em
todos cantos do país, inclusive nas arenas das Olimpíadas, vistas por
todo o planeta, só pode ser uma: resistência e rebeldia contra o golpe e
os golpistas, em defesa ativa da democracia.



Ao romper com a Constituição, de modo farsesco e sem nenhum pudor, as
elites golpistas lançam o país e suas instituições no rumo do
imponderável. Quem continuará acreditando nas garantias constitucionais
aos mandatos populares se este golpe se consumar? Quem respeitará
poderes ilegítimos?



Mas os golpistas querem usurpar o governo de forma definitiva para impor
um programa antissocial e anti-nacional que não ousariam submeter às
urnas. É por isso que se voltam contra as conquistas sociais desde a era
Vargas e têm por objetivo acabar com a universalização de direitos
sociais inscritos na Carta de 88. Além de entregar o Pré-Sal às
petroleiras estrangeiras, privatizar a Petrobras e outras empresas
estatais e voltar a submeter o Brasil aos interesses das grandes
potências, sepultando a diplomacia da última década, mundialmente
reconhecida como independente ativa e altiva.



Perda da democracia e perda de direitos – uma regressão política, cultural e social profunda – é disso que se trata.



Mas por que republicar e divulgar amplamente agora a Carta Testamento de Getulio?



Nós sabemos que a história não se repete e que cada momento conjuntural
tem suas próprias especificidades. Mas consideramos que há muito em
comum nas várias conjunturas em que as elites antidemocráticas
brasileiras buscaram chegar ao poder rompendo a Constituição, de forma
aberta ou velada, derrubando governantes populares, eleitos
democraticamente pelo povo.



Getúlio enfrentou o golpe e venceu com o sacrifício da própria vida em 24 de agosto de 1954.



Brizola também venceu o golpe contra a posse constitucional do vice-presidente João Goulart,
em 7 de setembro de 1961, usando como principal arma de comunicação a
Rede da Legalidade, formada por emissoras de rádio em várias regiões do
país.



Jango decidiu não reagir ao golpe, em 1° de abril de1964, certamente
evitando o risco de uma guerra civil e a muito provável invasão do
Brasil pela Marinha dos Estados Unidos na conhecida Operação Brother
Sam.



Com o domínio dos golpistas, o país e o nosso povo pagaram o preço de
duas décadas de ditadura, com centenas de mortos e desaparecidos
políticos e milhares de presos, torturados, exilados e banidos, além de
arrocho salarial e extraordinária concentração de renda.



Temos plena consciência dos sacrifícios que o país e o povo terão que
pagar se a cidadania democrática não reagir a altura nesta reta final do
golpe.



Que se unam fortemente todas as forças democráticas do Brasil – partidos
políticos, sindicatos, movimentos sociais, em especial a juventude
combativa, os trabalhadores conscientes, as mulheres destemidas, os
intelectuais e artistas libertários, os religiosos humanistas e tantos
outros.



Que se avance além da denuncia indignada e das manifestações de protesto.



Que se incentive a desobediência civil contra os usurpadores e os que lhes dão cobertura falsamente legal.



Que se adotem variadas formas de luta e ações corajosas e criativas que
desmascarem e deslegitimem na prática a farsa do impeachment no Senado.



Revisitemos a História. Com a palavra, Getúlio Vargas:



Carta Testamento



Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.



Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o
direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação,
para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e
principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de
decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros
internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o
trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive
que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha
subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais
revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros
extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do
salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade
nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás,
mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás
foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja
livre. Não querem que o povo seja independente.



Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores
do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao
ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes
constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do
café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu
preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a
ponto de sermos obrigados a ceder.



Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão
constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo,
renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda
desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de
rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo
brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de
estar sempre convosco. Quando vos humilharem sentireis minha alma
sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em
vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos
vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu
sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta.
Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e
manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o
perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória.
Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo
de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício
ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.



Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo.
Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não
abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha
morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da
eternidade e saio da vida para entrar na história.





 Fonte: Fórum 21

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Grupo fascista tenta invadir gabinete de Jamil Murad na Câmara - Portal Vermelho

O camarada Jamil Murad é uma das melhores pessoas que eu conheço. Íntegro, humano, solidário, corajoso, um patrimônio da esquerda de São Paulo. As provocações e agressões fascistas que tem sofrido merecem amplíssima solidariedade! Viva Jamil! Abaixo o fascismo!

Paulo Vinícius Silva

Grupo fascista tenta invadir gabinete de Jamil Murad na Câmara - Portal Vermelho:
Um grupo de cerca de 15 pessoas tentou invadir o gabinete do vereador Jamil Murad (PCdoB), na Câmara Municipal de São Paulo, nesta terça-feira (23). Aos gritos de "fora, Murad", "fora, comunistas", "fora, Lula e Dilma" e em defesa do impeachment, o grupo chegou a tentar agredir fisicamente o vereador e precisou ser contido pela segurança da Casa.

A demonstração de intolerância e violência é a segunda que ocorre na Câmara, em menos de uma semana. Na última sexta-feira (19), durante homenagem pelo aniversário de 90 anos do líder da revolução cubana, Fidel Castro, um homem - identificado como sendo militante do Movimento Brasil Livre (MBL) - invadiu o evento, tentou rasgar uma faixa e insultou os presentes.

Jamil era um dos autores da homenagem. O homem teve que ser retirado à força do salão da Câmara pela Guarda Civil Metropolitana e foi levado ao 1º Distrito Policial, para prestar depoimento. De acordo com o blogueiro Eduardo Guimarães, tratava-se do ativista do MBL, Fernando Holiday, candidato a vereador pelo DEM de São Paulo.

Para Jamil, os dois episódios estão interligados. Segundo ele, o ocorrido nesta terça teria sido uma retaliação à homenagem a Fidel, "um líder que tirou o povo do analfabetismo e enfrentou o imperialismo".

O vereador atribuiu o ataque, que classificou como "fascista", a uma onda de intolerância que ronda o país, em um momento de investida contra a democracia. "Mas eles não vão nos calar, nem nos intimidar", disse, alertando que as agressões ocorrem em meio a uma ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, com o governo provisório de Michel Temer tentando aprovar reformas que penalizam o povo.

Do Portal Vermelho

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Rabelo: “Garantia da democracia será questão central nestas eleições” - PCdoB. O Partido do socialismo.

Rabelo: “Garantia da democracia será questão central nestas eleições” - PCdoB. O Partido do socialismo.




Diante das incertezas em relação ao
impeachment da presidenta Dilma Roussef e do golpe em curso, a discussão
da democracia como um valor essencial ganha papel central nas eleições
municipais, diz o presidente da Fundação Maurício Grabois Renato Rabelo
na abertura do seminário “Cidades mais humanas – Construindo hoje a
realidade de amanhã”, realizado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira
(03). O evento teve ainda a participação do diretor da Fundação Perseu
Abramo, Kjeld Jakobsen
Fotos: Vitor Vogel Cuca da UNE
Cidades mais Humanas renato
 Renato Rabelo falou em nome da Fundação Maurício Grabois


Equilibrar demandas locais com a conjuntura que aponta para
graves retrocessos econômicos, sociais e políticos no País é o principal
desafio que os setores progressistas enfrentam nestas eleições. Sendo
assim, propor soluções concretas para a vida nas cidades, considerando
as limitações financeiras dos municípios brasileiros, sem perder de
vista a visão estratégica é fundamental para as candidaturas do campo de
esquerda.



“Estamos em um momento de grande ataque à democracia, há um golpe em
curso que, diferente de outros que aconteceram no País, militares e com
uso da força, é um golpe institucional, com afrontas claras à
Constituição”, disse Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício
Grabois.



Neste contexto, segundo Rabelo, é essencial retomar a luta pela
democracia como um valor a ser defendido com unhas e dentes. “Não se
pode chegar a políticas justas para as cidades sem a participação do
povo, temos que criar espaços de debate, buscar formas dos cidadãos
serem efetivamente ouvidos, consultados”, diz.



Renato citou a proposta da pré-candidata à prefeita do Rio de Janeiro
Jandira Feghali de utilizar as escolas como espaços de discussão e
participação popular: são 1.493 escolas no Rio, em todos os bairros, que
podem ser utilizadas como um fórum de bairro, reunindo a associação de
moradores, o comércio, pais, alunos etc.



Além disso, a conjuntura nacional vai interferir nas eleições de uma
forma direta, com a proibição de doações de empresas e a não aprovação
do financiamento público de campanha.



E, somados aos diferentes temas e desafios colocados - como propostas e
soluções para questões de direitos humanos, mobilidade urbana, saúde,
educação, direitos civis, habitação etc, os candidatos precisarão lidar
com o descrédito da população com a política e os sistemáticos ataques
sofridos pela esquerda nos últimos anos.



“As mudanças no financiamento de campanha inclusive obrigarão os
candidatos a estar tête-à-tête com os eleitores, ouvir os cidadãos”,
disse Kjeld Jakobsen, diretor da Fundação Perseu Abramo. “Mas também
saber que há uma radicalização pela direita, vivo em São Paulo e vejo a
campanha midiática contra o atual prefeito, é impressionante. Isso
porque ele não está envolvido em nenhum escândalo, em nada. Mesmo assim,
fazem ataques diários”, contou.



Novo pacto federativo




Os debatedores mostraram preocupação quanto ao pacto federativo vigente
hoje no País. “Houve um processo de descentralização de políticas
públicas, que de fato estão mais próximas dos cidadãos, mas o aumento
das responsabilidades não estão sendo acompanhadas dos devidos
recursos”, alertou Kjeld.



Neste sentido, as soluções colocadas pel

 mercado passam pelas privatizações, parcerias público-privadas e
descentralização da gestão para organizações e consórcios – vide os
serviços públicos oferecidos na região portuária do Rio de Janeiro,
dentro do projeto do Porto Maravilha. Tudo sem ouvir ver
dadeiramente a população, valorizando espaços democráticos de discussão.



“É fundamental mostrar, neste debate, o direito dos cidadãos à cidade”,
salientou Rabelo. “Temos exemplos concretos em São Paulo, onde a lógica
da mobilidade urbana foi invertida: com corredores de ônibus, criação de
ciclovias, combate à ditadura do automóvel e espaços para pedestres.
Uma cidade pras pessoas, não pra carros”.



Além do debate “As eleições municipais de 2016 e o lugar das cidades no
debate político”, o seminário contou com a presença de personalidades e
organizações que compareceram à abertura para prestigiar e saudar o
evento.



Entre os presentes, a deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB/RJ), o
presidente do Sindicato dos Comerciários Márcio Ayer, a representante da
União Brasileira de Mulheres Helena Piragibe, a presidenta da União da
Juventude Socialista do Rio de Janeiro Tayná Paolino, o representante da
UNA LGBT Rio Marcelo Max e o presidente da União Estadual dos
Estudantes do Rio de Janeiro, Leonardo Guimarães.



Todos fizeram uma intervenção ressaltando demandas e preocupações a
serem implementadas em programas de governo comprometidos com cidades
mais humanas e democráticas.













Fonte: Fundação Maurício Grabois

Petróleo é vendido por golpistas a preço de refrigerante  - Portal Vermelho

Petróleo é vendido por golpistas a preço de refrigerante  - Portal Vermelho





 
 


Considerando as previsões
declaradas pela empresa norueguesa, que considerou haver reservas entre
0, 7 e 1,2 bilhões de barris (bbl) em Carcará, o preço do barril poderá
variar de U$ 3,57/bbl a U$1,25/bbl – valor de um suco industrializado ou
de uma lata de refrigerante.



A Federação anunciou que vai ingressar na Justiça com uma ação para
reverter o negócio, já que a Petrobrás vendeu sua participação integral
de 66% em Carcará por 2,5 bilhões de dólares, quando – segundo a
entidade de geólogos – o negócio vale várias vezes mais. “É como vender
por um milhão uma casa que vale 15 milhões”, compara a entidade numa
nota em que repudia a venda.



Em valores, o que o governo golpista entregou para o capital estrangeiro
somente nessa transação supera muito o que foi desviado pela Petrobras e
que está sob investigação da Lava-Jato.



Parlamentares do PT apoiam a iniciativa da entidade. “Para os geólogos,
não há justificativa plausível para a venda: o governo golpista vendeu o
Campo de Carcará a preço de banana”, diz o deputado Wadih Damous
(PT-RJ), sobre o negócio.



“A Federação Brasileira de Geólogos tem fortes argumentos para
questionar essa venda na Justiça, mostrando que a venda foi realmente
lesiva à Petrobras”, acrescenta o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).



Dimensionando o prejuízo




Para dimensionar o prejuízo, vale entender os números que envolvem a
Carcará e compará-los com os valores de outro negócio fechado pela
Petrobras, que foi o leilão do Campo de Libra, arrematado por consórcio
do qual a própria Petrobras fez parte.



A Febrageo, no documento de repúdio, mostra que a Petrobras pagou um
preço médio de U$8,51/bbl na aquisição onerosa das acumulações de
Libra/Tupi. Isso significa que, levando em conta a reserva de 0,7
bilhões de barris em Carcará, a empresa Statoil pagará aproximadamente
42% do valor que pagou a Petrobras em um campo próximo.



A situação se agrava quando o volume considerado é o mais realista – o
de 2,0 bilhões de barris em Carcará, o que reduz o preço a ser pago pela
Statoil para U$ 1,25/bbl, ou seja, 31% do que foi pago pela Petrobras
em Libra, segundo a federação.



Os geólogos representados pela entidade afirmam que é “estranha e
imprópria” a política atual da Petrobras de valorar seus ativos
exploratórios usando a expectativa mínima de sucesso ou somente com base
em volumes provados, prática que está em desacordo com a maioria das
companhias do mundo.



“Tal tipo de venda de patrimônio do povo brasileiro revela a postura de
dirigentes mal-intencionados e descomprometidos com um projeto de
construção nacional. Não dá para fazer outro juízo. Comportam-se como
únicos vendedores que depreciam seus próprios e valorosos ativos”,
afirma a Febrageo. 





Fonte: PT na Câmara

Requião: Teto de gastos é a proposta mais idiota e desumana - Portal Vermelho

Requião: Teto de gastos é a proposta mais idiota e desumana - Portal Vermelho




Moreira Moriz/Agencia-Senado
 
 


O governo interino enviou ao
Congresso a PEC 241 com o objetivo de congelar os gastos públicos por 20
anos, tendo como referência os gastos de 2016.



Nunca em nenhum outro país uma proposta de congelamento dos gastos
públicos foi sequer cogitada como proposta legislativa, muito menos
colocar tal aberração em um texto constitucional. Mesmo na Grécia,
massacrada pela austeridade fiscal imposta pelos credores e pela
Alemanha, imaginou-se tal coisa.



Essa proposta tão absurda serve para mostrar o grau de anormalidade política e institucional em que vive hoje o país.



É a prova de que estamos caminhando para o caos político e econômico, em
razão da incrível ousadia e irresponsabilidade daqueles que imaginam
controlar o povo e o Congresso com a repetição nauseante de um arsenal
de mentiras.



A proposta é tão anormal que nenhum economista ou professor
universitário com credibilidade se atreveu a defende-la. No dia 16 de
agosto, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado debateu o assunto.



Meirelles mandou dois funcionários de segundo escalão para defender a proposta. Confrontados pelos professores convidados a fazer uma análise séria do assunto, exibiram a grande fragilidade da PEC 241 e da visão econômica do chefe.



Os dois rapazes apenas aumentaram minha incompreensão sobre as razões
pelas quais o “mercado” e certos políticos progressistas veem Meirelles
como “salvador da Pátria”. Que Pátria?



Os mensageiros deste “salvador do mercado” repetiram o velho chavão que
diz que o “Estado é como uma dona de casa que sabe que não pode gastar
mais do que arrecada”. Ora, qualquer um que lê os jornais com atenção e
conhece um pouco de história sabe que isso é um sofisma manipulador e
primário. O Estado, no mundo inteiro, gasta mais do que arrecada quase
sempre e isso é visto como absolutamente normal e saudável.



Infelizmente ou felizmente o Estado é muito mais complexo do que o orçamento doméstico.



Voltando à PEC 241.



Obviamente, em termos bem simples e diretos essa PEC promete explicitamente e na melhor das hipóteses que:





a saúde não melhore nada por 20 anos;

a educação não melhore nada por 20 anos;

o salário mínimo não melhore nada por 20 anos;

a segurança pública não melhore nada por 20 anos;

o trânsito das cidades – que depende da construção de metrô e obras viárias – não melhore nada por 20 anos;

as condições de moradia não melhore nada por 20 anos, mas que a
população nas favelas ou em submoradias aumente significativamente em 20
anos;

o saneamento básico não melhore nada por 20 anos;

a qualidade de vida da maioria da população não melhore nada por 20 anos;

a proteção ao meio ambiente não melhore nada por 20 anos;

nossa justiça lenta e parcial não melhore nada por 20 anos;

o combate à seca no Nordeste e às mudanças climáticas, que podem ter efeitos catastróficos, não melhore nada em 20 anos;

o desenvolvimento científico e tecnológico do país não melhore nada em 20 anos;

a gestão pública não melhore por 20 anos;

a distribuição de renda não melhore nada por 20 anos;

a desigualdade regional não melhore nada por 20 anos;

a capacidade do país se defender não melhore nada por 20 anos;

a infraestrutura não melhore nada por 20 anos.

É exatamente isso o que esta PEC está propondo. E olhe, senhoras e
senhores senadores que essa PEC é considerada a medida mais importante
do governo interino.



Falando português claro e sem eufemismo, na verdade, é a proposta
legislativa mais idiota e mais desumana que eu já vi tramitar no
Congresso por iniciativa do Executivo, em toda história do Brasil.



Obviamente o povo brasileiro jamais vai concordar com essa barbaridade.
Não foi para isso que muitos pediram o afastamento de Dilma. Mas o povo
não sabe que isso está em discussão.



A grande mídia, é claro, não vai dar espaço para que o povo seja informado.



Ademais, os congressistas têm a voz cortada pelos instrumentos ilegais de tramitação acelerada, que excluem o debate.



Além do que, uma parte significativa dos parlamentares tem medo de
criticar em público e se posicionar contra as medidas impostas pelo
poder econômico depois que:



os tentáculos e os métodos agressivos de Eduardo Cunha e seus parceiros se espalharam no Congresso e no governo;

a grande imprensa passou a adotar o critério de que todo mundo que pensa diferente dela é sua inimiga mortal;

começaram as investigações da Lava Jato com prisões preventivas
generalizadas, abusivas, espetacularização e destruição de reputações;

o Poder Judiciário e o Ministério Público tomaram para si a prerrogativa
de condenar a opinião do Congresso e seu poder de legislar.

O Congresso está funcionando de forma anômala. No mínimo, quando se
refere a questões de interesse do poder econômico, as opiniões
divergentes e o contraditório estão restritos em razão do medo e da
forma de tramitação inconstitucionais e não democráticos que funcionam
como rolo compressor.



Esse contexto explica porque a PEC 241 pode ser aprovada, mesmo propondo
explicitamente que o Brasil não melhore em nada nos próximos 20 anos.



Se nosso país já fosse o mais desenvolvido do mundo, a proposta já seria
um absurdo, porque o ser humano quer sempre melhorar e progredir.



Mas, com as carências que temos, como esperar por vinte anos, duas
gerações, para retomar os investimentos em saúde, educação, habitação,
saneamento, infraestrutura urbana e mais?



Pensando bem, a PEC 241 é ainda muito pior do que isso.



Sabemos que a população brasileira vai aumentar e que, portanto, nada
vai melhorar por 20 anos, pelo contrário tudo vai piorar com a vigência
da PEC.



Mais doentes para os mesmos hospitais, mais idosos para a mesma
previdência pública, mais estudantes para as mesmas escolas e
universidades, mais carros para as mesmas ruas, mais pessoas para as
mesmas favelas, mais dejetos para o mesmo sistema de esgoto e de
tratamento de água, mais caminhões para as mesmas estradas, mais caos
urbano para a mesma segurança pública, mais conflitos para a mesma
justiça.



Limitam-se aí os malefícios desta PEC?



Não. Esses são apenas os mais evidentes.



A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Esse fato é certamente a inspiração econômica da PEC 241.



No dia 16 de agosto, o professor Pedro Rossi, da Unicamp, lembrou em
audiência pública no Senado, que mesmo a reforma previdenciária mais
radical que Temer conseguir aprovar não impedirá que a população
brasileira continue a envelhecer. E nem a reforma previdenciária mais
radical vai impedir que as despesas previdenciárias ultrapassem 8,6% do
PIB em 2036, disse o professor.



Ora, se aprovada a PEC 241 e as despesas previdenciárias atingirem
apenas 8,6% do PIB em 2036, e as despesas com saúde e educação ficarem
congeladas, todos os outros gastos públicos – como funcionalismo,
segurança, defesa, proteção contra catástrofes, obras viárias,
saneamento, habitação, ciência e tecnologia, justiça, legislativo –
terão que disputar apenas 1% do PIB.



Porque é isso que vai restar do orçamento para esses setores. Seria, então, a destruição do Estado Nacional.



O absurdo de tal proposta me faz pensar que essa PEC visa apenas a jogar
a sociedade contra os aposentados, a saúde e a educação públicas e
distrair os brasileiros para que não percebam que o nível atual de juros
é incompatível com o envelhecimento da população , com a saúde e a
educação públicas.



Enfim, reafirmando, os cálculos do professor Pedro Rossi mostram que a
PEC 241 seria a destruição do Estado Nacional, da educação, da saúde e
da previdência.



É isso que querem que o Congresso aprove?



Não. É ainda pior.



O governo e alguns poucos economistas lunáticos que estão defendendo
essa proposta dão a entender que mesmo que tudo que dependa do Estado
piore por 20 anos ou seja destruído, ao menos o setor privado poderá
crescer e gerar empregos.



Mas isso também não acontecerá.



Nunca na história de um país grande houve crescimento econômico sem que houvesse crescimento dos gastos públicos.



Em tese, em um país bem pequeno, é possível que o setor privado cresça
mais do que o setor público, porque – por ser pequeno – a maior parte da
produção industrial e agrícola está voltada para as exportações. Além
disso, quando o consumo interno cai, é possível aumentar as exportações
sem gerar super oferta no mercado internacional.



Portanto, o mercado internacional pode ser decisivo no crescimento do
setor privado em um país pequeno. Já em um país grande, o crescimento
econômico depende primordialmente do crescimento do mercado interno, que
depende dos gastos públicos.



Como somos um dos principais fornecedores no mercado internacional da
maioria dos produtos que nós exportamos, como soja, café, carne, minério
de ferro, algodão, celulose de eucalipto e mais, não é possível
compensar a queda no consumo interno com mais exportações. Porque isso
provocaria uma saturação no mercado de nossos produtos de exportação.



Além disso, as pessoas demitidas nos serviços e no comércio não poderiam
trabalhar na indústria exportadora por não terem capacitação para isso,
e por não existirem máquinas suficientes para empregá-las no Brasil, e
nem mercado externo para absorver tal aumento das exportações.



Mesmo em países pequenos, como a Grécia, é muito difícil que a economia
cresça se o setor público não acompanha, como a experiência recente
mostrou.



Em um país grande é realmente impossível a economia crescer se os gastos
públicos não crescerem, pois o consumo privado já está ajustado à renda
das pessoas. Assim, se o gasto público não crescer, a renda e o mercado
interno não poderão crescer.



E se o mercado interno não crescer, não haverá investimento do setor privado e assim o emprego e os salários não irão crescer.



Em casos excepcionais, e de forma marginal, é possível que o setor
privado cresça mais rápido do que o setor público, nos breves momentos
em que há uma euforia no investimento privado e taxas de juros muito
baixas para financiá-lo a longo prazo.



Isso está muito distante da realidade brasileira. Taxas de juros baixas
não é o caso do Brasil e não será pelos próximos 20 anos. Mesmo porque a
PEC 241 tem como objetivo principal garantir que o governo pague as
taxas de juros mais altas do mundo por 20 anos, sem tornar a dívida
pública impagável.



Dessa forma, podemos concluir sem sombra de dúvidas que a PEC 241, caso
seja aprovada, condenará o Brasil a 20 anos de recessão, estagnação,
deterioração dos serviços públicos e das condições de vida.



Só isso?



Não, a PEC 241 consegue ainda ser pior…



O governo interino pode paralisar os gastos em pesquisa e
desenvolvimento no Brasil, mas não pode parar o desenvolvimento
tecnológico do resto do mundo. Portanto, como nossas empresas estão
inseridas no mercado internacional, as máquinas usadas pelos empresários
brasileiros continuariam a ser trocadas por outras mais eficientes,
dispensando trabalhadores. Logo, o nível de emprego diminuiria nos
próximos 20 anos.



Com o desemprego crescente, os salários cairiam continuamente e, em
consequência, o mercado interno encolheria, o que levaria a economia a
um ciclo vicioso de depressão.



Se em 2013, os jovens se revoltaram por 20 centavos de aumento nas
passagens, nem posso imaginar o que fariam no contexto de depressão.



Só não estamos já em uma situação revolucionária e de guerra civil, porque:



quando Dilma colocou Levy para derrubar nossa economia, estávamos no
menor nível de desemprego e com o maior salário médio da nossa história;



a mídia e os propagandistas do discurso de ódio nas redes sociais
conseguiram convencer que estávamos, em 2013 e 2014, em uma crise moral e
econômica profunda, quando, na verdade, a nossa situação econômica e
social era a melhor da nossa história;



a mídia e os propagandistas do discurso de ódio nas redes sociais
convenceram a maioria de que todos os problemas, reais ou imaginários,
presentes, passados ou futuros eram a culpa da Dilma e que, portanto,
queimar o “judas” no impeachment iria purgar a sociedade de todas as
culpas e problemas.



Dessa forma, o povo demorou a sentir os efeitos da política recessiva
que implantaram e ficou distraído com divisão sórdida que criaram na
sociedade, enquanto todos esperam a fogueira do impeachment se apagar.



Quando isso acontecer e as Olimpíadas acabarem, nem as prisões
espetaculares da Lava Jato vão conseguir distrair a população de seus
problemas reais e do que o governo interino está pretendendo aprovar no
Congresso.



As pessoas aos poucos passarão a direcionar sua raiva contra o
Congresso, o governo interino e suas políticas. E o governo e a
governabilidade só se sustentarão com muita repressão, violência e
censura.



Mas por quanto tempo, será possível represar a insatisfação?



Caso consiga conter a insatisfação popular por um ano, o governo Temer
talvez crie as condições para uma revolta popular generalizada e um
provável golpe militar preventivo, próximo às eleições de 2018.



Se não conseguir represar a revolta por tanto tempo, o Congresso deverá
votar a eleição indireta no início do ano que vem, o que poderá distrair
o povo por alguns meses.



De uma forma ou de outra e, mesmo sob uma ditadura de fato, a aprovação
da PEC 241 tornará qualquer governo inviável. Ela transformará o
convívio em sociedade no Brasil em um inferno, em razão da depressão
econômica, da deterioração dos serviços públicos e da qualidade de vida.
Nesse contexto, uma ditadura levaria a uma guerra civil antes do final
da década.



A aprovação da PEC 241 contribuirá decisivamente para esse processo.



Mas a troco de que o governo interino está propondo medidas tão explosivas?



Em troca de uma suposta redução de um novo indicador contábil inventado
pelos banqueiros, chamado de relação dívida bruta sobre PIB.



Não parece pouca vantagem para tamanha destruição de milhões de vidas e famílias?



Parece. Mas é ainda pior do que isso.



A PEC 241 não melhorará nenhum indicador contábil-fiscal.



Pelo contrário, piorará, porque em países grandes como o Brasil esses
indicadores só podem ser melhorados por meio do crescimento econômico
ou, eventualmente, por uma forte desvalorização cambial.



Se aprovada a PEC 241, o PIB e a arrecadação de impostos não vão
crescer. Assim, mesmo que os gastos públicos fiquem estagnados, a dívida
não poderá cair. Pelo contrário, em razão dos insanos juros que estão
em vigor no Brasil, a dívida continuará aumentando!



Então quer dizer que o governo interino e o “mercado” ficaram loucos ao propor tal medida?



Não acho que seja isso. De fato, existe um fanatismo de “mercado” que é
incapaz de perceber as tendências suicidas do fundamentalismo
neoliberal.



Mas esse certamente não é o caso da pragmática cúpula do governo
interino. Eles não têm convicções neoliberais, porque não têm
convicções.



Essa mesma cúpula, ao promover o maior déficit primário em décadas, já
traiu o “mercado” e as próprias promessas neoliberais contidas no
documento “Uma Ponte para o Futuro”.



Eles não são tão idiotas irresponsáveis quanto parecem. Acredito que a
PEC 241 não seja para valer. Ela é só uma cortina de fumaça para nos
distrair, enquanto aprovam o que realmente lhes interessa.



E o que realmente interessa para eles?



1) A entrega do pré-sal às grandes multinacionais norte-americanas



2) As privatizações a preço de banana, com os inevitáveis pixulecos



3) A eliminação de direitos trabalhistas, sociais e previdenciários para satisfazer os financiadores do golpe



O governo interino não quer realmente aprovar a PEC 241. Para ele,
quanto mais tempo, ficar em discussão no Congresso, melhor. No entanto,
ao mesmo tempo, eles têm que mostrar ao “mercado” que estão se
esforçando para aprovara PEC rapidamente.



Isso significa que os grandes tubarões do “mercado” são suicidas?



Não. Eles são tão pragmáticos quanto a cúpula do governo interino.



No momento, os tubarões estão atrás de pretextos, de factóides que
provoquem uma euforia compradora das ações, empresas e títulos que eles
adquiriram a preço de banana nos últimos dois anos, em razão da crise
econômica por eles engendrada pela política de austeridade do Levy.



Ao mesmo tempo, o governo interino está, na prática, se lixando para
responsabilidade e austeridade fiscal, pois promove o maior crescimento
do déficit primário em décadas. Dessa forma, a PEC 241 é o único álibi
que pode justificar algum respeito do atual governo à austeridade
fiscal.



Como a mídia e os tubarões venderam ao “mercado” que as ações e títulos
caíram de preço porque Dilma não teve “responsabilidade fiscal”, eles só
podem criar uma euforia compradora se provarem que o atual governo é o
oposto de Dilma em termos de “responsabilidade fiscal”.



Ora, como todas as evidências mostram que o atual governo está sendo
irresponsável e está se lixando para austeridade fiscal, criaram essa
PEC 241 para tentar “provar” que são alucinados fundamentalistas do
austericídio fiscal.



Por alguns meses, isso há de embalar as histórias de carochinha que a
mídia vai contar sobre a conversão da cúpula do governo ao
fundamentalismo de mercado e, assim, dar embasamento narrativo à euforia
das bolsas, para vender a preços elevados as ações que os tubarões
compraram a preço de banana nos últimos dois anos.



Ao mesmo tempo, distraem o Congresso, a esquerda e o povo, enquanto
aprovam o que realmente querem: vender as riquezas nacionais e o
patrimônio público a preço de fim de feira, e cortar direitos sociais.



Parece o plano perfeito, mas não estão contando com o despertar do povo
do sono profundo em que foi embalado. Um sono regado a ódio político,
muita espetacularização de operações policiais, prisões preventivas mal
explicadas e vazamentos ilegais de processos judiciais.



Também não estão contando que podem errar a mão e acabar aprovando a PEC 241.



Se isso acontecer, nenhum simulacro de democracia ou de estabilidade sobreviverá.



Quem viver, verá.





 Fonte: Rede Brasil Atual

Seis ações que comprovam plano de Temer para falir a educação - Portal Vermelho

Seis ações que comprovam plano de Temer para falir a educação - Portal Vermelho






Lula Marques/ Agência PT
 
 


Por Laís Gouveia



Listamos algumas ações do interino, que, por meio do seu ministro da
Educação, Mendonça Filho (DEM-PE), promove o desmonte da pasta e
retrocessos comparáveis aos tempos em que Fernando Henrique Cardoso
presidia o país. Enumeramos abaixo algumas ações do governo Temer para
falir a educação pública brasileira:



1- Apoio a grupos de extrema direita 



Com a maioria dos movimentos em defesa da educação contrários ao golpe
político que afastou a presidenta Dilma do poder, Mendonça Filho
resolveu mostrar a representatividade do MEC recebendo em seu gabinete o
grupo de extrema direita "Revoltados on Line", que pregam ações de ódio
em seu discurso nas redes e defendem calorosamente a implementação do
projeto "Escola sem Partido" cujo objetivo é punir professores que por
ventura venham a ensinar o que é marxismo em sala de aula.



2- Desrespeito com o movimento educacional



Logo após ouvir seus conselheiros de extrema direita, Mendonça
revogou a nomeação de 12 conselheiros do Conselho Nacional de Educação
(CNE), que atuavam  de forma efetiva na construção e avaliação da
política nacional de educação. Movimentos sociais foram ao MEC denunciar
a ação ilegítima, mas foram recebias com truculência no local e
ignorados pelo ministro.



3- Sucatear mais ainda as universidades privadas e lucros exorbitantes aos empresários



Que nome indicar para a secretaria que regulamenta o ensino das
universidades privadas no MEC? Um empresário das universidades privadas,
claro. Mendonça nomeou para Secretaria de Regulação e Supervisão da
Educação Superior (Seres) um dos principais empresários do meio,
Maurício Costa Romão, como titular da pasta. "É A raposa toma conta do
galinheiro" denunciou na a presidenta da UNE, Carina Vitral. Se algum
dia houve um fio de esperança na regulamentação do ensino privado, ela
se estancou com essa nomeação. As universidades privadas continuaram com
seus lucros exorbitantes, oferecendo um serviço sucateado e tratando o
estudante como mera mercadoria.



4- Cortes de 350 milhões nas universidades federais



Programa de bolsas, pesquisa, extensão, assistência estudantil,
folha de pagamento em dia, podem estar comprometidos com os cortes
promovidos por Temer na área da educação, que prevê a reducão de 45%  em
recursos para as 63 universidades federais, um impacto de R$ 350
milhões a menos que o orçamento de 2016. A realidade das universidades
pouco se assemelha a um passado recente de expansão que se consolidou
com o programa Reuni, inciativa do governo Lula que promoveu a expansão
de vagas noturnas, construções de novos polos universitários no interior
e a contratação de novos professores e técnicos administrativos.
Reitores alertam que irão passar dificuldades para gerir as
universidades caso o corte seja de fato implementado.



5- O Partido do ministro é contra as cotas 



O partido Democratas (DEM), antigo Arena dos tempos de bipartidarismo da
ditadura militar, tem em seu DNA a luta contra as conquistas do povo
brasileiro. O partido ao qual o Ministro Mendonça filho é filiado entrou
com uma ação no STF em 2012 alegando ser inconstitucional a
implementação das cotas raciais. Por unanimidade, a corte votou pela
constitucionalidade das cotas. O próprio ministro disse na ocasião "não é
por esse caminho – das cotas baseadas em raça – que vamos integrar a
nossa sociedade”.



6- Queda das bolsas nas universidades privadas



O ProUni e o Fies são programas fundamentais para o estudante com
baixa renda poder ter acesso ao ensino superior, mas o governo já
sinalizou que o financiamento das bolsas não será a prioridade do
governo. Mendonça Filho declarou que não seriam abertas novas vagas para
o ProUni no segundo semestre de 2016, mas, após repercussão negativa,
voltou atrás e as vagas foram disponibilizadas no segundo semestre, com
4.630 bolsas integrais a menos. No caso do Fies, o programa sofreu um
duro impacto com um corte de 90 mil vagas.



O governo interino segue implementando sua agenda neoliberal nas
políticas educacionais e os planos de atingir as metas do Plano Nacional
de Educação se torna cada vez mais distante, afetando políticas de
inclusão social e soberania nacional. Os órgãos em defesa da educação
pública, educadores e movimentos sociais declararam que seguiram na luta
denunciando o retrocesso sem precedentes na pasta.





Do Portal Vermelho 


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Wikileaks: EUA armaram Estado Islâmico - Portal Vermelho

Wikileaks: EUA armaram Estado Islâmico - Portal Vermelho:


17 de agosto de 2016 - 20h08

Wikileaks: EUA armaram Estado Islâmico





Terroristas da Al-Nusra (esq.) e Estado Islâmico
Terroristas da Al-Nusra (esq.) e Estado Islâmico


Em 18 de fevereiro de 2010, o
chefe da inteligência síria, general Ali Mamlouk, apareceu de surpresa
em uma reunião entre diplomatas estadunidenses e Faisal a-Miqad,
vice-ministro das relações exteriores da Síria. A visita de Mamlouk foi
uma decisão pessoal de Bashar al-Assad, presidente sírio, em mostrar
empenho no combate ao terrorismo e aos grupos terroristas no Oriente
Médio, assinala o documento.

Neste encontro com Daniel Benjamin, coordenador das ações de
contra-terrorismo dos EUA, “o general Mamlouk enfatizou a ligação entre a
melhoria das relações EUA-Síria e a cooperação nas áreas de
inteligência e segurança”, afirmam os diplomatas estadunidenses em
telegrama destinado à CIA, ao Departamento de Estado e às embaixadas dos
EUA em Líbano, Jordânia, Arábia Saudita e Reino UNido.

Para Miqad e Mamlouk, essa estratégia passava por três pontos: com o
apoio dos EUA, a Síria deveria ter maior papel na região, a política
seria um aspecto fundamental para ações de cooperação contra o
terrorismo e a população síria deveria ser convencida dessa estratégia
com a suspensão dos embargos econômicos contra o país.

Para Imad Mustapha, embaixador sírio em Washington, “os EUA deveriam
retirar a Síria da lista negra”. Nas palavras de George W. Bush, o país
fazia parte do “eixo do mal”, junto com Coreia Popular e Afeganistão.

Apesar da discordância entre EUA e Síria quanto ao apoio de Assad a
grupos como Hezbolá e Hamas, os dois países concordavam quanto à
necessidade de interromper o fluxo de guerrilheiros estrangeiros para o
Iraque e impedir a proliferação de grupos como a Al-Qaida, o ISIS e o
Junjalat, uma facção palestina com a mesma orientação política. Para
Benjamin, as armas chegavam ao Iraque e ao Líbano contrabandeadas pelo
território sírio.

Mamlouk reforçou a “experiência síria em combater grupos terroristas”.
“Nós não ficamos na teoria, tomamos atitudes práticas”, foram as
palavras do chefe de inteligência de Assad. Segundo o general, o governo
sírio não mata ou ataca imediatamente esses grupos. “Primeiro, nós nos
infiltramos nessas organizações e entendemos o funcionamento delas”. De
acordo com Damasco, “essa complexa estratégia impediu centenas de
terroristas de entrarem no Iraque”.

Guerra do Iraque e surgimento do Estado Islâmico

No entanto, apesar de afirmarem cooperar com a Síria para combater o
terrorismo, os EUA também trabalharam para armar os opositores sírios e
isso causaria um problema maior na região: a criação do atual Estado
Islâmico. Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico The Guardian,
grande parte do armamento utilizado pelo ISIS (antigo nome do Estado
Islâmico) veio de grupos armados pelos EUA e cooptados por Abu Bakr
al-Baghdadi, líder do Califado Islâmico, que hoje controla territórios
na Síria e no Iraque.

Saddam al-Jammal, líder do Exército de Libertação da Síria, outro grupo
anti-Assad, também jurou lealdade ao Estado Islâmico desde novembro de
2013. Para garantir tal apoio, o ISIS mudou a sua estratégia de
controle: dava autonomia a essas autoridades locais em vez de controlar
diretamente a governança das cidades. Como resultado, o ISIS se expandiu
e conseguiu lutar em cinco frentes: contra o governo e os opositores
sírios, contra o governo iraquiano, contra o Exército libanês e milícias
curdas.

O armamento começou a ser enviado para os opositores sírios em setembro
de 2013. Na época, analistas davam o ISIS como terminado e a alegação
para fortalecer esses grupos era a de que o governo Assad havia usado
armas químicas. Para enviar as armas, o governo Obama usou bases
clandestinas na Jordânia e na Turquia. Aliados dos EUA na região, como
Arábia Saudita e Catar, também forneceram ajuda financeira e militar.

Ironicamente, os EUA sabem inclusive a real identidade do líder do
Califado. Durante um ataque à cidade iraquiana de Faluja em 2004, os
estadunidenses prenderam alguns dos militantes pelos quais procuravam.
Entre eles, estava um homem de 30 e poucos anos e pouco importante na
organização: Ibrahim Awad Ibrahim al-Badry. 10 anos depois, ele se
tornaria líder do grupo terrorista, segundo informações de um oficial do
Pentágono.




Do Portal Vermelho, com informações do Opera Mundi

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Dilma Roussef: Mensagem ao Senado e ao povo brasileiro - Vídeo

Brasília, 16 de agosto de 2016












Dirijo-me à população brasileira e às Senhoras Senadoras e aos Senhores Senadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao País.



Meu retorno à Presidência, por decisão do Senado Federal, significará a afirmação do Estado Democrático de Direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política.



Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho.



Precisamos fortalecer a democracia em nosso País e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade. Que eu sou inocente.



No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a desconfiança política para afastar um Presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime. Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”.



Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições. Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta.

Ao invés disso, entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social. É o único caminho para sairmos da crise.

Por isso, a importância de assumirmos um claro compromisso com o Plebiscito e pela Reforma Política. Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes.

Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um Plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral. Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla e profunda reforma política, estabelecendo um novo quadro institucional que supere a fragmentação dos partidos, moralize o financiamento das campanhas eleitorais, fortaleça a fidelidade partidária e dê mais poder aos eleitores.

A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro. Devemos construir, para tanto, um amplo Pacto Nacional, baseado em eleições livres e diretas, que envolva todos os cidadãos e cidadãs brasileiros.

Um Pacto que fortaleça os valores do Estado Democrático de Direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais. Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do País.

O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião. A transição para esse novo momento democrático exige que seja aberto um amplo diálogo entre todas as forças vivas da Nação Brasileira com a clara consciência de que o que nos une é o Brasil.

Diálogo com o Congresso Nacional, para que, conjunta e responsavelmente, busquemos as melhores soluções para os problemas enfrentados pelo País. Diálogo com a sociedade e os movimentos sociais, para que as demandas de nossa população sejam plenamente respondidas por políticas consistentes e eficazes.

As forças produtivas, empresários e trabalhadores, devem participar de forma ativa na construção de propostas para a retomada do crescimento e para a elevação da competitividade de nossa economia.

Reafirmo meu compromisso com o respeito integral à Constituição Cidadã de 1988, com destaque aos direitos e garantias individuais e coletivos que nela estão estabelecidos. Nosso lema persistirá sendo “nenhum direito a menos”.

As políticas sociais que transformaram a vida de nossa população, assegurando oportunidades para todas as pessoas e valorizando a igualdade e a diversidade deverão ser mantidas e renovadas. A riqueza e a força de nossa cultura devem ser valorizadas como elemento fundador de nossa nacionalidade.

Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil. Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos.

Isso é necessário porque, desde o início do meu segundo mandato, medidas, ações e reformas necessárias para o País enfrentar a grave crise econômica foram bloqueadas e as chamadas pautas-bomba foram impostas, sob a lógica irresponsável do “quanto pior, melhor”.

Houve um esforço obsessivo para desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos impostos à população. Podemos superar esse momento e, juntos, buscar o crescimento econômico e a estabilidade, o fortalecimento da soberania nacional e a defesa do pré-sal e de nossas riquezas naturais e minerárias.

É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade.

Povo brasileiro, Senadoras e Senadores,

O Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que requer coragem e clareza de propósitos de todos nós. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o País.

Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.

Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Tenho orgulho de dizer que, nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi.

Em nome desses votos e em nome de todo o povo do meu País, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para assegurar a democracia no Brasil. A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime.

Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora.

Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.

Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente.

O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.

A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes Presidenta.

Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo. A democracia há de vencer.

Dilma Rousseff

Impeachment está para democracia como drones estão para guerra - MARIO SERGIO CONTI

A destituição de Dilma está para a democracia assim como os drones para a guerra. Ambos reduzem os danos colaterais causados por tanques atirando nas ruas. Têm legalidade frágil e se estribam em evidências manipuláveis. Destroem inimigos, mas provocam revides.

Em 5 de março, drones atacaram a 200 quilômetros de Mogadíscio, na Somália. Eles mataram 150 pessoas, cuja existência poria em perigo assessores americanos da camarilha que controla parte do país. Não apareceram provas de que os mortos fossem criminosos. Seria difícil: as evidências provinham da interceptação de celulares, que, ninguém ignora, passam de mão em mão. Por isso, um drone atacou uma festa de casamento no Iêmen, matando 12 convidados. Grampear também é ilegal, o que não impediu a Casa Branca, bem como a Lava Jato, de gravar conversas de Dilma.

Obama dispara drones porque dispõe de uma decisão legislativa, concedida a Bush Jr., que autoriza o presidente a golpear a Al Qaeda e similares, estejam eles onde estiverem. Com ela na mão, nunca um presidente foi à guerra por tanto tempo, em tantas frentes. O Nobel da Paz mata no Afeganistão, Iraque, Síria, Paquistão, Líbia, Iêmen e Somália –nos últimos quatro, só vai de drones.

São armas politicamente contraproducentes. Quem sustenta isso é o general Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americanas no Afeganistão. Ele disse que os drones criam uma "percepção de arrogância americana", geram um ódio "visceral". Obama dizimou a Al Qaeda, mas o Estado Islâmico surgiu das suas cinzas.

Os drones reduziram as baixas americanas. Como há menos soldados que voltam para casa em sacos negros, diminuiu a oposição interna a aventuras imperiais. Os drones também são baratos. Os "made in China" custam US$ 1 milhão.

A sua propagação foi mais célere que a das armas nucleares. Israel, Reino Unido, Irã, Iraque, Nigéria e Paquistão usam drones. Logo, logo eles estarão na mão dos seus inimigos. (Quatro livros sobre drones foram resenhados no último "The New York Review of Books", de onde se tirou as informações aqui publicadas.)

Do mesmo modo que os drones misturam guerra e paz, levando-as para um lodaçal jurídico, no Brasil se embaralharam política e polícia. Dilma está prestes a cair por força da democracia ou de um golpe de força? É impeachment ou putsch?

Ninguém defende que esteja em curso um impedimento com crimes cristalinos, como seria o de Collor se ele não tivesse renunciado. Fala-se, isso sim, do conjunto da obra dilmesca; de corrupção sistêmica; de ruína econômica; do PT 16 anos no Planalto.

Como nada disso é motivo para impeachment, recorreu-se a drones jurídicos. Eles foram calibrados pelas manifestações de rua e pela coesão burguesa. Puderam riscar o céu porque Dilma desdisse o que defendera dias antes, na campanha.

A presidente não analisou o que lhe fizeram nem o que ela mesma fez. Limitou-se a papagaiar "golpe", "golpe", como se 1964 e 2016 fossem semelhantes. Jamais discutiu se traiu seus eleitores e, assim, sabotou a soberania popular.

Com isso, parlamentares corruptos julgaram, e voltarão a julgar, uma presidente contra a qual não se achou nada. Já as figuras-chave do governo interino, de Temer a Serra, dependem de delatores da Lava Jato.

Por meio do golpe gambiarra chegou-se à democracia drone. Ele será acionado sempre que necessário. Pelo jeito, inimigos não lhe faltarão.

A versão e o fato - Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)


De uma coisa todos temos certeza, Dilma não está sendo afastada do governo por ter cometido qualquer crime de responsabilidade, mesmo porque os decretos e as tais pedaladas nem sequer podem ser tipificados como tal.

A verdadeira razão é política, aguçada por motivação ideológica e preconceito machista.

Querem destruir o legado de avanços políticos construído nos últimos 13 anos e mudar radicalmente o rumo da economia e da política; impedir que uma ideologia de centro-esquerda se viabilize como alternativa de poder e solapar a primeira mulher a presidir o Brasil, reforçando o estigma de que as mulheres devem ser apenas "belas, recatadas e do lar".

Por esse motivo, os defensores do golpe se apegam ao chamado "conjunto da obra". Alegam que Dilma governou de modo irresponsável, que teria feito uma verdadeira farra fiscal, levando o país à ruína financeira. Na prática, propõem um voto de desconfiança, que não se aplica ao presidencialismo.

Coerência é que o menos importa. Se um deficit primário de R$ 90 bilhões no governo Dilma era irresponsabilidade, é absolutamente normal aprovar um deficit de R$ 170 bilhões para o interino Michel Temer (PMDB).

O malabarismo retórico, entretanto, não se sustenta quando confrontados com os números do IBGE relativos ao Brasil real de 2016 e 2002 do governo de Fernando Henrique Cardoso. Vejamos.

O investimento estrangeiro direto foi de R$ 72 bilhões no governo Dilma (abril/2016), contra mirrados R$ 14 bilhões no de FHC (2002).

As reservas cambiais, mecanismo que garante nossa solidez financeira, saltaram de R$ 37 bilhões com FHC para R$ 376 bilhões com Dilma.

A taxa anual de inflação era 12,53% (2002) com FHC e 10,67% com Dilma (2015).

A taxa básica de juros era 19,1% na era FHC e 14% no governo Dilma.

Sobre a taxa de desemprego, em torno de 11,5% da população economicamente ativa estava desempregada no fim do governo FHC, contra 9,28% no governo Dilma (abril/2016).

Se os indicadores macroeconômicos falam a favor de Dilma, os sociais são avassaladores: expansão das universidades públicas; 36 milhões de brasileiros saíram da situação de extrema pobreza; e o crescimento real de 76% do valor do salário mínimo.

Assim como Dilma, FHC também enfrentou uma forte crise econômica internacional que abalou a economia do país, mas teve um tratamento muito diferenciado por parte do Congresso Nacional. Em apenas seis meses aprovou todas as suas medidas, inclusive a CPMF. A Dilma restaram a traição, as armações, a pauta bomba, cujo objetivo era assaltar o governo para abrir caminho à velha, derrotada e superada política neoliberal.      

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vanessa-grazziotin/2016/08/1803330-a-versao-e-o-fato.shtml

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O "velho" suplanta o "novo" - Luciano Siqueira


Mesmo que o Senado, num lance a essa altura surpreendente, venha a não confirmar o impeachment da presidenta Dilma, os desdobramentos imediatos — na melhor das hipóteses, a antecipação das eleições presidenciais via plebiscito — se darão em ambiente de complexa e desfavorável correlação de forças.

Muito pior, e o mais provável que aconteça, será o provisório e regressivo governo Temer se "legalizar” em consequência do afastamento definitivo da presidenta.

Trocando em miúdos, o "velho” conseguiu superar o "novo”.

A transição da ordem neoliberal a um novo projeto nacional de desenvolvimento, iniciada no primeiro governo Lula e exaurida no último ano do primeiro governo Dilma, está interrompida, dando lugar ao retrocesso.

A receita neoliberal ressurge agora sob condições mais perversas, plenamente conectada com a ofensiva do capital financeiro internacional diante da crise global.

Tudo pondo a nu problemas estruturais da sociedade brasileira não superados no recente período de prevalência democrática e progressista e também o insuficiente nível de amadurecimento político, ideológico e técnico das forças que governaram o país ocupando a hegemonia nos governos Lula e Dilma.

Não fomos capazes de enfrentar obstáculos estruturais ao desenvolvimento econômico, nem alterar minimamente a superestrutura jurídico-estatal, que inibe o distorce transformações de maior envergadura.

Tampouco o povo foi chamado a intervir, na dimensão necessária, em momentos de ameaça e crise — nem quanto Lula gozou de amplo e consistente prestígio popular.

Lula e Dilma sempre mantiveram a velha tradição brasileira de soluções de crises "por cima", subestimando a mobilização da base da sociedade. 

O fato é que os inegáveis avanços alcançados no período recente começam a ser desmontados com incrível rapidez por Temer e seu grupo. Sequer esbarram em entraves jurídico-formais, que permaneceram no essencial inalterados.

Tanto que o conluio entre o chamado “mercado”, a mídia hegemônica, parte do Judiciário e do Ministério Público e a base parlamentar hegemonizada pela direita age quase sem encontrar resistência.

Assim, colocam-se novas condições para a luta emancipadora do povo brasileiro, de sentido estratégico e de exigências táticas imediatas muito complexas.

A agenda das forças populares e progressistas é constrangida, de imediato, pela resistência ao desmonte neoliberal; e, com olhar no médio prazo, há que relançar os pontos essenciais de um renovado projeto nacional de desenvolvimento.

Sempre buscando juntar forças – sem estreiteza, nem exclusivismo.

* Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

sábado, 6 de agosto de 2016

Inscreva-se para a eleição de delegado(a) sindical, bancári@! - Paulo Vinícius Silva*



Reaberto até 15/08 a inscrição pra eleição de delegados(as) sindicais bancári@s no DF

A nova gestão Sindicato para Tod@s, com manifestação da CTB e apoio unânime dos diretores e diretoras, prorrogou a inscrição para a eleição de delegados(as) sindicais (BB, BRB e CEF) até o dia 15/08. Confira a matéria. Isso ocorre pelo desejo do Sindicato de ampliar a representação de base da categoria bancária.

Para a CTB, em seu Estatuto, nos Objetivos, já no artigo 1º, define-se o dever classista de “defender e assegurar o direito à organização nos locais de trabalho". Afinal, é no local de trabalho concreto, real, que se descumprem as leis e os acordos, e o olhar da base assegura, só pela existência da representação, que se coíbam práticas daninhas aos bancários e bancárias. Todos temos o dever de valorizar e apoiar a representação sindical de base.

Para participar é necessário preencher o seguinte formulário clique aqui até a data limite de 15 de agosto. É muito importante em cada agência e local de trabalho termos nossa representação, por devemos estimular inscrições nas eleições para dirigente sindical de base, aquela pessoa solidária que deseja melhorar o trabalho através da defesa dos direitos da categoria lá na ponta. É oportunidade de exercício da liderança, com acesso aos fóruns de decisão, de construção das políticas do sindicato em favor da categoria.

É também a possibilidade de cobrar uma atuação mais próxima e eficaz do movimento sindical, assumindo lugar nessa luta. Quando o a delegado(a) fala, fala por tod@s, e as pessoas com dificuldades, que sofrem no trabalho e que procuram apoio por esse canal criado pelos próprios trabalhadores e trabalhadoras. Deve ser uma pessoa capaz de mediação e simpática à organização dos trabalhadores e trabalhadoras, representando homens E mulheres, capaz de se indignar contra as coisas erradas.

Para assegurar a defesa dessa representação, o(a) dirigente sindical de base, o(a) delegado(a) sindical tem estabilidade de emprego por 2 anos a cada mandato e tem inamovibilidade – não pode ser demitido nem removido - de seu local de trabalho pelo mesmo período de tempo. Também é convocado(a) e liberado para 10 encontros sindicais durante a jornada de trabalho, espaços de formação e debate muito ricos. É uma grande escola de formação sindical e humana, que desenvolve qualidades de oratória, liderança pessoal, capacidade de mediação, conhecimentos jurídicos e administrativos, além da solidariedade.

Nesse ano decisivo, uma ampla rede de representantes de base é decisiva para nos defendermos como categoria, para repor as perdas e ter ganho real, para a manutenção e os reajustes dos benefícios (cesta alimentação, refeição, vale creche etc) de nosso acordo anual. Para renovar a luta sindical, é decisivo o papel dos delegados(as) sindicais, além de ser a melhor escola para o protagonismo sindical. Precisamos que cada agência, cada local tenha sua voz, para falarmos com toda a categoria. Façamos um chamado à categoria para ocupar e defender sua representação de base, para fortes e unidos(as) vencermos na campanha nacional deste ano e na defesa do emprego e dos bancos públicos. "Todos juntos somos fortes".